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Os 12 Filhos de Jacó
Os 12 filhos de Jacó e suas mães
Jacó chega à casa do tio Labão fugindo do irmão Esaú, e é lá, ao longo de vinte anos, que nascem os doze filhos que vão dar nome às doze tribos de Israel. A história dessas mães e desses nascimentos ocupa boa parte de Gênesis 29 e 30, e não é uma genealogia fria: é marcada por rivalidade entre irmãs, disputa por afeto e a crença de cada mulher de que um filho a mais mudava sua posição na família.
Jacó teve os 12 filhos com quatro mulheres: Lia, Raquel, e as servas Zilpa e Bila. Na ordem em que nasceram:
- Rúben (Lia)
- Simeão (Lia)
- Levi (Lia)
- Judá (Lia)
- Dã (Bila, serva de Raquel)
- Naftali (Bila)
- Gade (Zilpa, serva de Lia)
- Aser (Zilpa)
- Issacar (Lia)
- Zebulom (Lia)
- José (Raquel)
- Benjamim (Raquel, nascido depois, já em Canaã, no parto em que Raquel morre)
Repare no padrão: Lia, não amada por Jacó mas fértil, dá à luz os quatro primeiros filhos sozinha. Raquel, amada mas estéril por anos, entrega sua serva Bila a Jacó pra “ter filhos por ela”. Lia, vendo que parou de engravidar, faz o mesmo com sua serva Zilpa. Só depois desse impasse entre as duas irmãs é que Lia volta a ter filhos (Issacar e Zebulom), e só no fim Raquel finalmente engravida de José, e anos depois, de Benjamim.
Cada um desses 12 filhos dá nome a uma tribo. Mas duas particularidades explicam por que as listas bíblicas de “12 tribos” às vezes trazem nomes diferentes: a tribo de José se desdobra em duas, Efraim e Manassés, seus filhos, e a tribo de Levi, dedicada ao serviço sacerdotal, não recebe território próprio (Números 18:20-24). Por isso o número 12 se mantém, mesmo quando os nomes na lista mudam: José vira dois, e Levi sai de listas de território.
O significado do nome de cada filho
O próprio texto de Gênesis explica, filho por filho, por que cada nome foi escolhido, quase sempre como um trocadilho hebraico com o que a mãe estava sentindo naquele momento:
- Rúben (“vejam, um filho”): Lia diz que Deus viu sua aflição por não ser amada (Gênesis 29:32).
- Simeão (de “ouvir”): porque o Senhor ouviu que ela não era amada (Gênesis 29:33).
- Levi (“apegado”): Lia espera que agora, com três filhos, o marido finalmente se apegue a ela (Gênesis 29:34).
- Judá (de “louvar”): desta vez ela louva ao Senhor, sem mencionar o marido (Gênesis 29:35).
- Dã (“julgar”): Raquel diz que Deus a julgou a seu favor e lhe deu um filho por meio de Bila (Gênesis 30:6).
- Naftali (“minha luta”): Raquel diz que lutou com a irmã e venceu (Gênesis 30:8).
- Gade (“sorte” ou “boa fortuna”): exclamação de Lia ao ver nascer um filho de sua serva Zilpa (Gênesis 30:11).
- Aser (“feliz”): Lia diz que as mulheres a chamarão de feliz (Gênesis 30:13).
- Issacar (ligado a “recompensa”): Lia associa o nascimento à recompensa por ter cedido suas mandrágoras a Raquel (Gênesis 30:18).
- Zebulom (de “honrar” ou “morar”): Lia espera que agora o marido a honre, já que lhe deu seis filhos (Gênesis 30:20).
- José (“que ele acrescente”): Raquel pede que Deus lhe acrescente ainda outro filho (Gênesis 30:24).
- Benjamim (“filho da minha mão direita”): nome dado por Jacó; Raquel, morrendo no parto, havia chamado o filho de Ben-Oni, “filho da minha dor” (Gênesis 35:18).
Território e liderança: o que cada tribo recebeu
Depois da travessia do Jordão, a terra é dividida entre as tribos por sorteio (Números 26:52-56, Josué 13-19), com duas exceções já vistas acima: Levi não recebe território, porque sua função é o serviço no santuário, e José é substituído por seus dois filhos, Efraim e Manassés, que recebem porções separadas. Judá, o quarto filho de Lia, é quem recebe a bênção de liderança e realeza no discurso final de Jacó (Gênesis 49:10), o que mais tarde se cumpre na linhagem de Davi.
Fontes
- Gênesis 29-30: os 12 filhos de Jacó, suas mães e o significado de cada nome
- Gênesis 35:18: o nascimento de Benjamim e a mudança de nome feita por Jacó
- Gênesis 49: a bênção final de Jacó a cada um dos filhos
- Números 18:20-24: a tribo de Levi e o serviço sacerdotal
- Números 26:52-56 e Josué 13-19: a divisão da terra entre as tribos